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Adeus

Terça-feira, 29.01.08

 

 

 Tenho a memória dos afectos que me faz feliz..

 Tenho em mim, pedaços de tempo...

 Guardo todas as flores dum jardim inventado

 para nele me perder em aromas e cores...

 numa dança só minha.

 

 

 

 

 

"Como se houvesse uma tempestade

escurecendo os teus cabelos,

ou,se preferes,minha boca nos teus olhos

carregada de flor e dos teus dedos;

como se houvesse uma criança cega

aos tropeções dentro de ti

eu falei em neve e tu calavas

a voz onde contigo me perdi

como se a noite se viesse e te levasse,

eu era só fome o que sentia;

Digo-te adeus,como se não voltasses

ao país onde teu corpo principia

como se houvesse nuvens sobre nuvens

e sobre nuvens mar perfeito,

ou se preferes,a tua boca clara

singrando largamente no meu peito."

Eugénio de Andrade

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publicado por dolce_vita às 01:27

Círios

Quinta-feira, 24.01.08

 

 

" Os dias do futuro estão em frente a nós

como uma longa fila de círios acesos.

Dourados, quentes, vividos, pequeninos círios.

Os dias do passado ficam para trás,

uma triste fileira de apagados círios:

ainda fumegantes os mais próximos,

os outros frios, derretidos, recurvados.

Não quero vê-los: essa imagem fere-me

dói-me lembrar a luz que foi deles.

Olho na frente os meus círios acesos.

Não quero voltar-me e ver, horrorizado,

quão rápida se amplia a fila escura,

como se multiplicam os que se apagaram."

Constantino Cavafy

Há memórias,que embrulhamos e tentamos o seu afastamento e esquecimento,na poeira do tempo...a dor do seu regresso não tem piedade.. marteriza-nos.Queremos deixa-las apeadas na escuridão...

Num lugar aberto e arejado acolhemos a luz de um caminho que nos faça felizes..."como uma longa fila de círios acesos.Dourados,quentes,vividos ".Cavafy

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publicado por dolce_vita às 01:12

Até os deuses gostam...

Segunda-feira, 21.01.08

 

 

" Deus apenas fez a água, mas o homem fez o vinho."

Victor Hugo

 

Conforme prometido, estou a escrever umas poucas coisas sobre vinho, umas poucas coisas ligadas ao vinho. Sim, temos aqui um amigo que nos vai deliciando com bons néctares e eu vou retribuir com um brinde aos nossos vinhos.

O vinho é uma bebida resultante da fermentação alcoólica do sumo de uva. Leram bem, sumo de uva. Sendo um sumo contém sais minerais e uma pequena quantidade de proteínas, as coisas que uma mulher sabe de vinho...

não sendo enóloga!

Que bebida! Facilita a digestão dos alimentos à medida que estimula os movimentos do estômago .

A conservação de tão rico néctar, é bem conhecido, mas lembro que o ideal

seria uma adega subterrânea, mas na impossibilidade de tal "esconderijo",mantenhamos as garrafinhas ligeiramente inclinadas, de forma a que as rolhas fiquem sempre saciadas pelo vinho, diria embriagadas, de cor, aroma, cheiro...

Continuando nesta degustação vinícola , que tal oferecer-vos num copo de preferência de cristal ou vidro muito fino um Esporão reserva, sim porque um bom vinho também tem que ter um bom copo.

Através da transparência observa-se a cor do vinho e também no copo se deve deixar espaço para a expansão do bouquet.

E a cada copo o seu vinho...e aqui temos alguns essenciais sendo: o bordalês, o balão, a flûte , a taça e a túlipa. Cada um tem a sua especificidade...coisas

de etiqueta, pois é, mas existem...e um bom vinho merece!

Bordalês é elegante e recebe vinhos brancos, rosés e tintos jovens.

Balão, redondo permite aos vinhos abrirem-se, adequado a tintos nobres e envelhecidos.

Túlipa aceita brancos  rosés e tintos jovens.

Flûte gosta de champanhe.

Taça larga e achatada acolhe bem o aroma do vinho e a suavidade de espumantes doces.

E sem mais delongas, apresso-me a dizer que temos uma diversidade dos tipos de vinho que dependem das castas das uvas. Levantemos o copo ao nosso país por também ele nos brindar com tão bons e generosos vinhos. Destaco os vinhos do Dão, de Bucelas, Colares, vinhos verdes, Carcavelos, moscatel de Setúbal, vinhos do Porto e da Madeira.

Se a partir deste texto for apelidada de Enófila (aquele que é amigo do vinho e o propagandeia) aceito, pois até gosto de um copo...de um bom sumo de uva...

Não podia deixar de referir Baco, deus do vinho na mitologia romana ou não tenhamos nós descendência deles...e Dionísio, deus do vinho na mitologia grega...este sumo vem de longe!

Até os deuses o apreciavam...

Nós não o dispensamos, como não dispensamos os amigos e é com eles que

partilhamos os melhores aromas...os melhores vinhos.

in , ABC da cozinha

Dedico "estes copos" a todos quantos apreciam os vinhos portugueses.

 

 

 

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publicado por dolce_vita às 22:12

Coisas do amor

Domingo, 20.01.08

 

 

"Nunca se sabe o que é para sempre, sobretudo nas coisas do amor.

 E era uma coisa do amor, isto tudo.

 São tão estranhas as coisas do amor que não se compreendem por inteiro.

 Tem de se estar sempre a fazer suposições.

 Nunca se sabe como é até que ponto e até quando.

 Esta obsessão chega para impedir a vida, o amor,

 amaldiçoá-lo como um espectro."   

 

Pedro Paixão

in , Nos teus braços morreríamos

 

 

E nas coisas do amor...estão também os maiores medos,

os desejos inconfessáveis...as maiores alegrias...

nas coisas  do amor é que nos perdemos e encontramos...

num percurso deslumbrado, encantado de pétalas aveludadas...

olhares em tardes amenas, pintam-se promessas em tons de fogo...

erguem- se sonhos, num esvoaçar de asas entrelaçadas...

e nas coisas do amor...escurece o brilho, dum olhar o mar...o céu...

esbatem-se todas as cores numa indiferença apressada... muda

e à saudade, à dor, à mágoa...nos entregamos num desencanto anunciado

...

e nas coisas do amor há outro olhar que inflama ternamente e vislumbra-se

recomeço...

Coisas do amor.

 

 

 

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publicado por dolce_vita às 00:33

Embriaga-te

Quarta-feira, 16.01.08

Deves andar sempre bêbado. É a única solução.

Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te

pesa sobre os ombros e te verga ao encontro da terra,

deves embriagar-te sem cessar: com vinho, com poesia, ou

com a virtude. Escolhe tu, mas embriaga-te.

E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as

verdes ervas de uma vala, na solidão morna do teu quarto,

tu acordares com a embriaguez atenuada, pergunta ao

vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que passou,

a tudo o que murmura, a tudo que gira, a tudo o que canta,

a tudo o que fala: pergunta-lhes que horas são: "São horas de te embriagares.

Para não seres como os escravos martirizados do tempo, embriaga-te, embriaga-te,

embriaga-te sem descanso.

Com vinho, com Poesia, ou com a virtude".

Charles Baudelaire

 

 

 

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publicado por dolce_vita às 00:45

Confidências...intemporais

Domingo, 13.01.08

Vejo-te em traços oblíquos, furiosos e certeiros. Dardejas esta janela, indiferente, a quem dela olha, para lá da tarde gelada, com que te fazes acompanhar...não me apanhaste desprevenida...esperava-te no teu vestido cinzento, adornado de pendentes e gotinhas cristalinas como as que me deixaste nas vidraças. Gosto de te sentir desse lado, mesmo sabendo-te fria e muitas vezes impiedosa...mas capaz de dar encanto e viço às flores.

És também uma alma inquieta que passeia saudades ou absorve tristezas...e se enternece...

a mesma alma que sinto, nestes velhos livros de alfarrabista, esquecidos e bolorentos...numa espera de mãos que os soltem e afaguem, lhes devolvam vida.

Já foram companhia de noites e dias, sonhos encantados...

perfume, alegria, liberdade...

lágrima, sorriso, suspiro, ansiedade ...vaguear de pensamentos...

foram dedicatória ao amor, à amizade...foram momentos

E esta chuva furiosa que não me deixa escutar o coração destes velhos companheiros...abranda um pouco essa alma, há outras com saudades de se verem.

Vou dar-lhes asas...despeço-me de ti.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"A doce flor, até aqui, fechada sobre si,protegendo-se do frio,entreabre-se

deixando antever suas cores...libertando o suave perfume que atrai

quem está à sua volta, concentrando em si atenção do sol

que num terno abraço, logo a aquece,fazendo-a feliz."

 

 

 

 

 

 

 

 

"Do amor Homem e Mulher espero que ainda possa aprender algumas coisas.

agora,do amor Mulher-Mulher posso-te dizer que, o que nos une é um amor

puro,sincero e atrevo-me a dizer Eterno. Continua a viver a tua vida com esse sorriso que encanta qualquer pessoa que se cruza na tua vida...!

 

 

 

 

 

Obs : 

Estas são algumas das dedicatórias  que encontro,em livros comprados,ainda nos velhos e saudosos alfarrabistas.Omiti nomes e datas. Há uma curiosidade em alguns, que tem a ver com o título do próprio livro que serve de mote à dedicatória .

Não desnudos confidências, antes , dou asas a memórias.. esquecidas,empedrenidas,abandonadas ...intemporais

 

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publicado por dolce_vita às 21:20

sonhando

Quinta-feira, 10.01.08

Já só os vi de costas, de mãos dadas.Passeavam-se brandamente,entre uma pequena multidão que não viam...num fim de tarde de luz artificial de um centro comercial qualquer.

Senti-lhes as saudades um do outro, no olhar demorado, no afago do rosto...na ternura do enlace das mãos.

Não lhes vi o fulgor de outrora de verões tórridos...mas o saborear do momento, sorvendo cada gesto, cada sorriso, cada raio de sol de muitas primaveras...

e tão timidamente, pega a mão dela e faz tudo como se fosse a primeira vez...ou seria...e sela o romance, com o que me pareceu ser um anel.Vi-os num perfil iluminado, no silêncio das palavras e no beijo doce dos amantes.

Ela olha mais uma vez a mão e prende em si aquele homem, num abraço apertado como nunca o fizera...penso eu pela simplicidade do momento...

Adivinho-lhes os  sorrisos, os gestos e o encanto da noite...pensei-me pintor de uma tela de cores brilhantes entre os laranjas e os vermelhos num fundo noite com laivos de prata...

...fecho o livro, olho em volta...não os vejo...acho que estou cansado...confundi as histórias...e percorro de volta o mesmo caminho, sem pressa de chegar...pela falta do abraço que não tenho a receber-me...mais uma vez confundi as histórias...

Texto: ficção

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publicado por dolce_vita às 01:42

O interior das rosas

Sábado, 05.01.08

Onde há para este interior

um exterior? Sobre que dor

se põe este linho?

Que céus se espelham

no seio do lago

destas rosas abertas,

descuidadas? Olha:

como jagem soltas,

como se não pudesse

mão tremente desfolhá-las.

Mal se podem suster

a si próprias: muitas deixaram-se

encher de mais, e trasbordaram

de espaço interior

para os dias, que cada vez

mais plenos se fecham,

até que todo o Verão se faz

uma sala, uma sala num sonho.

Rainer Maria Rilke

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publicado por dolce_vita às 01:19

Um Lugar sem tempo...

Terça-feira, 01.01.08

"As quatro coisas que não voltam para trás:

A pedra atirada, a palavra dita,

a ocasião perdida e o tempo passado."

Desconheço a longitude ou a latitude, não sei o fuso horário, não  sei a duração dos dias ou das noites...desconheço esse teu endereço.

Mas tenho a certeza que estás aí...a mesma certeza que me faz escrever para te dizer o quanto estou atrasada nas palavras, a mesma certeza que tenho desses passeios calmos sem rebuliço, correria ou falta de tempo.

Sei-te agora, confortado e resignado, nesse lugar despido de muros e paredes de betão, ruas empedradas e irregulares que te custavam percorrer...sei-te nesse lugar sem janelas embaciadas e pequenas de onde já não olhavas com alegria.

Sei-te viajante feliz, pelo olhar doce com que nos espreitas...pela ternura que nos fazes sentir, sempre que tocas o nosso coração e pela certeza do encontro...

Ainda que, atrasada nas palavras tenho que te dizer, não ter aceite a tua viagem de imediato, não dei conta de preparares bagagem ou comprares  bilhete...e não tive tempo para um abraço...o mesmo tempo que me fez adiar os sentimentos...os gestos...as palavras...talvez o mesmo que levei a chorar tudo e a perdoar-me, por não me ter despedido de ti, neste cais de chegadas e partidas.

Ainda que atrasada, já te posso dizer com um sorriso, que nenhuma viagem é vã. ..nem a tua, ainda que prematura.

Aprendi,que todas as partidas, nos deixam sulcos, vincados na alma e que a data não se apaga, apenas se atenua na saudade, gravada na pedra mais dura do tempo.

Além das muitas coisas que me ensinaste, a mais importante, foi a que me enviaste, desse lugar sem nome...que recebi em envelope selado com amor e papel de um branco brilhante, de cercadura estrelada e colorida.

E numa mistura de alegria e lágrimas, leio, que, numa viagem aprendemos algo para sempre;nunca adiar ou guardar as emoções acompanhadas de palavras,porque elas ficam permanentemente em quem as recebe.

Só hoje,pai,depois de tanto tempo,te envio a resposta por escrito.No coração,sabes que já o tinha feito.Tenho tentado estar atenta a todos os que amo,prescurtar neles possíveis viagens sem bilhete ou bagagem...adivinhar abraços...já não adio as palavras quando as sinto...não quero ser surpreendida por partidas vazias...toda a viagem deve ter espaço na bagagem para o amor...para que o reencontro seja eterno.

Pai,obrigada por continuares a ensinar-me,mesmo daí...desse lugar que não sei onde fica ,mas penso-o,um lugar sem tempo...

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publicado por dolce_vita às 23:23





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